31.7.11

Eu tenho raiva quando acordo com saudade de você.

Eu tenho raiva da sua doçura.

Eu tenho raiva por querer te ver de novo.

Eu tenho raiva de você ter tido tanto tempo pra me dizer que não estava sozinho, e de ter ficado calado esse tempo todo.

Eu tenho raiva de mim, por ter inventado essa história.

Eu tenho raiva de ainda achar graça nas besteiras que você me falava.

Eu tenho raiva de lembrar da gente junto e derreter um pouquinho.

Eu tenho raiva de ter me apaixonado por um cretino tão babacamente pragmático quanto eu mesma.

Eu tenho raiva de gostar das bandas que você me apresentou.

Eu tenho raiva do país em que você vive, do bairro onde teus pais moram, eu tenho raiva deles, do teu irmão, dos bichos de estimação que você teve, tenho raiva dos lugares pra onde você vai, dos seus amigos, do Johnny Cash.

Eu tenho raiva por não fazer a menor idéia de quando eu vou te ver de novo.

Eu tenho raiva, principalmente, de querer fazer alguma coisa que possa mudar esse desfecho, e tenho mais raiva ainda de saber que essa coisa não existe.

2 comments:

João Marcos Flores said...

É engraçado, o poema funciona da mesma forma se trocarmos "eu tenho raiva de" por "eu amo".

Gostei bastante, parabéns ;)

Mayra said...

o amor, esse neurótico. =)
obrigada, joão!